Descrição:
A realização do 1º Seminário Madeira Energética – MADEN 2008 nos dias 2 e 3 de setembro próximo, no Rio de Janeiro, servirá como vitrine de exposição para a primeira fábrica de carvão vegetal a partir da biomassa do capim elefante do Brasil, localizada no município de Conceição de Macabu, no interior fluminense. O projeto foi realizado em parceria com o Instituto Estadual de Florestas [IEF], a TermoRio, o Ministério de Desenvolvimento Agrário e a Prefeitura da cidade. Além do carvão vegetal, a fábrica produz bio-óleo [alcatrão] e água ácida, poderoso agente inseticida biológico para uso em agricultura orgânica. A tecnologia de fabricação do “carvão verde” foi desenvolvida e patenteada pela Bioware, empresa incubada da Universidade Estadual de Campinas [Unicamp]. O empreendimento é gerido pela Cooperativa de Produção Agrícola e Pecuária de São Domingos, em Macabu. A ação faz parte das iniciativas do Instituto Nacional de Eficiência Energética [INEE] para ser criada no país uma política para o uso energético da madeira e seus derivados. O uso do capim elefante como biomassa será debatido durante a palestra “Biomassa de ciclos curtos”, ministrada por Vicente Nelson Giovanini Mazzarella, Coordenador Geral de Projetos Especiais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas [IPT], e por Segundo Urquiaga, Pesquisador da EMBRAPA Agro-biologia.
Produtividade O capim elefante é uma designação genérica, que reúne mais de 200 variedades de capim. Mazzarella explica que o capim elefante tem aspectos importantes como alta produtividade, em torno de 40 toneladas de massa seca por hectare por ano. Sua produtividade é no mínimo quatro vezes maior que a da madeira de eucalipto. Seu ciclo de produção é de seis meses, enquanto que o primeiro corte da madeira de eucalipto se faz a partir do sexto ano. “Na apresentação, vamos explorar a capacidade de determinadas biomassas de produzirem mais em menos tempo. O capim elefante se destaca porque tem uma produtividade maior que a do eucalipto e da cana-de-açúcar”, afirma o coordenador. Além dessas características, há menor necessidade de áreas, menor custo de biomassa, maior assimilação de carbono e prováveis custos competitivos com outras fontes de energia, além de ser um energético renovável e ambientalmente amigável. Estudos divulgados recentemente pela Embrapa indicam que o uso do capim elefante como fonte direta de energia apresenta um balanço energético de até 24:1. Ou seja, 24 unidades de energia produzidas para uma unidade de energia investida. No caso da cana-de-açúcar, o balanço energético é de 9,3:1. O capim elefante é uma espécie vegetal oriunda da África, utilizada para alimentar vacas para a produção de leite e carne bovina. Para este fim, são utilizadas altas doses de nitrogênio químico, adubo que representa aproximadamente 60% do custo total dos fertilizantes, e que garante à biomassa maiores níveis de proteína. No caso da produção de energia, a Embrapa realiza pesquisa para selecionar uma variedade de capim elefante que demande menos nitrogênio químico e com isso gere menos custos. “Uma técnica aplicada ao capim elefante é a Fixação Biológica de Nitrogênio [FBN], que consiste na substituição da adubação nitrogenada química pela fixação do nitrogênio do ar, por bactérias existentes no solo e nas plantas. É um processo similar ao que já acontece na colheita da soja, da cana de açúcar e do feijão”, esclarece o pesquisador Urquiaga. Sem o nitrogênio químico, a colônia de capim elefante terá menos proteína e mais fibra, características ideais para a produção de energia.
Aplicações O capim elefante pode ser utilizado para geração de energia elétrica para venda, geração de eletricidade e vapor para uso próprio, calor para secagem e queima em cerâmicas, produção de carvão para processos